Memória do avô orienta Odylon Wagner na construção de Freud
Ator combina pesquisa, memória emotiva e referências familiares para evitar uma representação caricata do pai da psicanálise.

A interpretação de Sigmund Freud em A Última Sessão de Freud parte de pesquisa histórica e memória emotiva. O processo de construção do personagem começou pelo estudo da vida de Freud, do texto e das ideias que sustentam o debate sobre religião, fé e existência.
“Você tem que buscar nas tuas memórias internas alguns sentimentos que te ajudem a chegar perto da do sentimento que o personagem tem.”
Disse Odylon Wagner.
Para construir um Freud de 83 anos, doente e vivendo em 1939, o ator buscou referências no próprio avô. Judeu e pertencente a uma geração próxima à de Freud, ele usava roupas semelhantes, tinha um modo particular de andar e carregava marcas físicas do trabalho como mascate.
“Eu penso primeiro nos sentimentos, o corpo vem depois.”
Disse Odylon Wagner.
Durante os ensaios, Odylon percebeu que mantinha a mão em uma posição que lembrava diretamente o avô, que havia perdido parte dos movimentos depois de uma cirurgia. O gesto surgiu antes de uma decisão racional e passou a integrar o corpo do personagem.
A lembrança familiar ajudou o ator a procurar a humanidade de Freud, sem reduzi-lo à imagem conhecida do pensador sério e carrancudo. O resultado combina técnica, estudo e experiência pessoal em uma interpretação que acompanha Odylon há cinco anos.





