Murilo Jorge vê interpretação humana como limite da inteligência artificial na música
Violinista avalia que complexidade, variedade instrumental e interpretação da música erudita continuam distantes da reprodução por sistemas generativos.

A inteligência artificial já participa da produção de jingles, letras e faixas populares, mas seu alcance na música erudita ainda encontra limites de composição e interpretação na avaliação do violinista Murilo Jorge.
O músico separa a geração de uma sequência sonora da experiência de executar uma obra. Partitura, dinâmica, timbre, fraseado e escolhas realizadas no momento da apresentação interferem no resultado ouvido pelo público.
“A música clássica busca mais a complexidade harmônica, melódica e de instrumentos, variedade de instrumentos.”
Disse Murilo Jorge.
Formações orquestrais reúnem famílias de instrumentos com funções diferentes e exigem equilíbrio entre dezenas de participantes. Mesmo quando uma tecnologia consegue reproduzir padrões, a construção de uma interpretação envolve relações entre músicos, regência e resposta ao espaço.
Murilo admite a possibilidade de usar ferramentas de IA em etapas específicas, como apoio à criação de letras. Essa aplicação, porém, não substitui a prática instrumental nem a preparação necessária para apresentar repertório de maior complexidade.
“Além da música escrita, tem a interpretação, que eu acho impossível a inteligência artificial conseguir copiar.”
Disse Murilo Jorge.
A avaliação distingue automatização e expressão artística. Sistemas generativos podem ampliar recursos de composição e produção, enquanto o músico mantém a interpretação como dimensão ligada à experiência humana.
O avanço das ferramentas tende a ampliar o debate sobre autoria, execução e trabalho musical. Para instrumentistas, a adaptação pode acontecer sem abandonar técnica, estudo coletivo e presença de palco.





