Pedro Pimenta defende apuração, credibilidade e linha editorial clara
Jornalista critica publicações sem investigação, relaciona confiança à permanência do público e afirma que veículos precisam definir seus princípios editoriais.

A velocidade da internet aumentou a quantidade de pessoas capazes de publicar informações, mas não eliminou a necessidade de apuração. Para Pedro Pimenta, o acesso a plataformas digitais não transforma automaticamente qualquer produtor de conteúdo em jornalista.
A diferença está no trabalho anterior à publicação: conferir fatos, comparar versões, identificar fontes e avaliar se uma informação pode ser sustentada. Sem esse processo, erros ganham circulação e veículos precisam corrigir publicamente conteúdos que não deveriam ter sido divulgados daquela forma.
“Eu fico muito frustrado hoje como jornalista. Qualquer pessoa vai para a internet, acha que é jornalista e fala sem apurar os fatos, sem praticar o jornalismo raiz, que diferencia uma notícia de outra.”
Disse Pedro Pimenta.
A credibilidade também depende da relação construída com o público. Quando erros se repetem ou assuntos são publicados sem investigação, leitores, ouvintes e telespectadores procuram outras fontes. A audiência deixa de ser apenas um número e passa a funcionar como resposta à confiança acumulada.
“Uma redação de jornal que não preza pela credibilidade e coloca assuntos aleatórios sem essa investigação também é desprezada pela comunidade. A comunidade acaba deixando ela de lado e vai procurar outros programas.”
Disse Pedro Pimenta.
Veículos de comunicação ainda precisam conciliar seus princípios com custos de operação e receitas publicitárias. Esse equilíbrio exige transparência interna sobre os temas tratados, os critérios de seleção e os limites adotados pela redação.
“O meio de comunicação precisa ter um certo cuidado, mas, muito mais do que cuidado, precisa ter uma linha editorial muito bem definida.”
Disse Pedro Pimenta.
Pedro também rejeitou a ideia de imparcialidade absoluta no jornalismo. A escolha de uma pauta, a abordagem e a própria origem histórica da imprensa envolvem perspectivas. Isso não dispensa rigor nem autoriza distorções; reforça a necessidade de tornar os critérios editoriais consistentes e manter os fatos separados das avaliações.
O desafio se amplia em um ambiente de redes sociais, podcasts e publicação instantânea. A tecnologia muda formatos e velocidade, mas a confiança continua ligada a práticas básicas: investigação, responsabilidade, correção transparente e uma linha editorial compreensível para quem acompanha o veículo.





